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Entrevista cedida e concedida por Maitê Lima.  Vejam a trajetória desta grande banda que está com uma década de vida !!

01. Ricardo, pra começar eu gostaria de agradecê-lo pelo tempo cedido para esta entrevista! Fale um pouco sobre o Strangeways para que os leitores do RockShowBrasil conheçam melhor a banda...
 
Primeiramente nós do Strangeways é que agradecemos pela entrevista! O Strangeways, teve início em 96 na cidade de São Paulo, com Ricardo Vergueiro (voz/guitarra), Alex Mollo (voz/baixo) e Tatá Pellegrini (guitarra/bk.vocal). Com esta formação ficamos até 2001 e gravamos 1 demo-tape – A Distant Shout (96) e nossos 2 cds – Dry Season (99) e Farewell (02). Em 2002 convidamos Bio Fonseca para assumir os baixos e Alex Mollo ficou exclusivamente nos vocais, porém em 2003 Mollo saiu da banda e voltamos a ser um trio!
 
02. O Strangeways existe há quase 10 anos, e sempre resgatando o rock dos anos 80. Como vocês lidam com o fato de que nossa cena infelizmente é movida pelo som da “moda”, quais as dificuldades que o Strangeways tem com relação a isto?
 
Os modismos afetam todas as bandas e não só o Strangeways, mas o que mais me incomoda é o questionamento sobre porque cantamos em inglês e usamos programação eletrônica de bateria em pleno 2006. Além disso, apesar de nossas influências serem oitentistas, procuramos não soar datados e sim modernizar esta estética.
 
03. Por exemplo, eu acredito que pelas influências do Strangeways, nos shows de vocês dá um pessoal que curte mais um som das antigas, e este infelizmente é um número muito menor. É difícil encontrar a molecada comprando ingresso pra ver uma banda que tem como influências The Cult, Sisters of Mercy, The Cure, etc... Eles preferem pagar horrores para assistir um lixo comercial...
 
Eu entendo e acho positivo que as gerações mais novas procurem por novos ídolos, é importante para a renovação e cabe ao Strangeways ter capacidade de através de seu som agradar tanto aos mais novos quanto aos mais velhos!
 
04. E como foi no início da carreira de vocês quando o grunge era mais latente?
 
Por incrível que pareça, na década passada fazer um trabalho autoral cantado em inglês tinha mais espaço do que hoje, pois tenho visto muitas bandas dos mais diversos gêneros passando a cantar em português em busca de um público maior, mas pergunto - se até hoje em dia, apesar das bandas nacionais terem crescido muito em termos de público e respeito, as bandas estrangeiras são as principais atrações e todo mundo se esforça para cultuar o gringo que canta em inglês, porque rejeitar os brasileiros que seguem por este caminho?
 
05. Vocês lançaram o “Dry Season” (1999) e o “Farewell” (2002), de forma independente e os dois álbuns têm uma produção fantástica. Vocês mesmo se encarregaram disso ou contaram com o apoio de mais alguém?
 
Todo o investimento nesses dez anos de banda foi feito única e exclusivamente por nós. Para gravar um cd gasta-se com gravação, produção, arte e prensagem, além dos investimentos em instrumentos e equipamentos para shows e ensaios. Temos consciência de que para alcançar um resultado satisfatório são necessários tais gastos.
 
06. Estes álbuns tiveram uma repercussão excelente pela mídia especializada, causando uma certa curiosidade pela parte do leitor. Mas, e as vendas, correspondem às expectativas da banda?
 
Não! O duro é que depois que o trabalho está pronto, com todo sacrifício que tivemos, muito pouca gente valoriza e se dispõe a comprar! Por isso entendo porque muitas bandas independentes não vão a nenhum lugar, pois chega uma hora em que não dá mais para manter os custos necessários para produzir algo de qualidade!
 
 
 
07. E um terceiro álbum, nós podemos esperar para este ano ou ainda não é chegada a hora?
 
Este ano de 2006 será totalmente dedicado ao nosso próximo trabalho! Por enquanto é tudo que posso dizer, pois só a partir de fevereiro vamos iniciar os trabalhos.
 
08. Este será de forma independente também ou vocês estão procurando uma gravadora?
 
Assim como os anteriores este trabalho também deverá ser lançado de forma independente, não por escolha nossa, mas por falta de opção, pois estamos sempre abertos para trabalharmos com parcerias principalmente na área de distribuição!
 
09. A maioria das composições do Dry Season são suas, já o álbum Farewell traz mais composições de Alex Mollo e Tatá Pellegrini. Como se deu este acordo? Você preferiu assim ou naturalmente calhou de Alex e Tatá terem mais coisas escritas?
 
Por compor mais eu acabo tendo mais músicas nos discos, mas para o Farewell o Alex tinha várias letras bacanas e o Tatá também cooperou com letras e músicas. Procuramos sempre escolher o melhor repertório independentemente de quem compôs!
 
10. Vocês já tocaram em festas e eventos importantes, como a Thorns Gothic Rave, o Teatro dos Vampiros entre outras festas, festas estas que são conhecidas em diversos estados, e recentemente vocês participaram do “Projeto Woodstock”. Como é a recepção do público nos shows do Strangeways?
 
Já teve de tudo! Recentemente tocamos em 2 eventos bem distintos. Um voltado para o público gótico e outro para o pessoal do rock pesado. Achei que teríamos uma boa reação do público no primeiro e seríamos ignorados no segundo, pois aconteceu exatamente o contrário, ou seja é imprevisível o comportamento do público! Mas em geral os shows da banda tem sido bem aceitos.
 
11. O Strangeways segue desde 1996 até hoje como um trio, e usando uma bateria eletrônica. Vocês pensam em anexar ao grupo um membro fixo na bateria? Se não, por quê?
 
A bateria eletrônica já faz parte da minha vida desde 88 quando tinha uma banda tecno-pop e quando começamos com o Strangeways, não tínhamos ninguém para tocar, então foi natural usarmos a bateria eletrônica, ou seja, não usamos só porque gostamos e sim porque queremos! Não temos nenhuma restrição a usar um baterista, mas no nível de entrosamento pessoal e musical que temos hoje, precisaria ser alguém muito dedicado para que nos ajudasse e não atrapalhasse!
 
12. O que você acha mais importante e que está precisando melhorar na cena atual?
 
Gravar um cd hoje em dia é a parte mais fácil, basta ter $$ para isto, além do mais os equipamentos de gravação estão mais acessíveis e é possível fazer todo o trabalho em casa com qualidade, o problema está na divulgação, pois ninguém valoriza o trabalho e não se dispõe a pagar por ele. Além disso fazer shows está um horror, seja pela falta de estrutura das casas, que não oferecem condições para uma boa apresentação, ou seja pela concorrência e preferência pelas bandas covers e djs, que tem sufocado as bandas de trabalho próprio!
 
13. Ricardo, mais uma vez obrigada pela sua atenção e simpatia. Desejamos sucesso ao Strangeways e sorte sempre. Este espaço é para as considerações finais...
 
Nós é que agradecemos seu esforço e dedicação em divulgar o trabalho das bandas independentes que tanto necessitam deste apoio e convidar a todos que queiram conhecer nosso trabalho através dos nossos canais de divulgação nos seguinte endereços:
 
e-mail: strangeways@strangeways.com.br
Site: http://www.strangeways.com.br
Fotolog: http://www.fotolog.net/strangeways
Orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=125271

Por: Maitê Lima
05/01/06.





Publicado em 05/02/2006



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